Como a Dopamina Influencia o Emagrecimento

Como a Dopamina Influencia o Emagrecimento

A dopamina é frequentemente chamada de “neurotransmissor do prazer”, no entanto, essa definição é imprecisa do ponto de vista científico.

Como a dopamina influencia o Emagrecimento?

Evidências da neurociência mostram que sua principal função não é gerar prazer, mas regular motivação, aprendizado, expectativa e tomada de decisão.

Neste artigo, você encontra:

  • Como o Cérebro Aprende com Recompensas

  • Esforço e Benefício

  • Dopamina e Funções

  • Estimulação Negativa

  • Dopamina, Intestino e Cérebro

  • Dopamina e Emagrecimento

O Cérebro Aprende com Recompensas

O cérebro aprende por meio de um mecanismo conhecido como Erro de Predição de Recompensa, codificado pela liberação de dopamina.

Esse erro representa a diferença entre o que o cérebro espera receber e o que realmente recebe após uma ação.

  • Quando a recompensa é maior do que o esperado, ocorre um aumento transitório da dopamina, reforçando o comportamento que levou ao resultado.

  • Quando a recompensa é exatamente como o esperado, a liberação dopaminérgica se mantém estável, pois não há aprendizado novo.

  • Quando a recompensa é menor do que o esperado, há uma redução da dopamina, sinalizando que aquele comportamento tem menor valor futuro.

Esse sistema permite que o cérebro ajuste expectativas, refine decisões e aprenda quais ações devem ser repetidas ou evitadas.

Esforço e Benefício

O cérebro não avalia apenas a recompensa final, mas a relação entre esforço e benefício.

Se uma ação exige menos esforço do que o esperado para uma determinada recompensa, ocorre reforço positivo e aumento da motivação futura.

Quando o esforço é maior do que o previsto, a motivação tende a cair.

Por isso, progressos consistentes e previsíveis sustentam mais motivação do que resultados rápidos e instáveis.

O sistema dopaminérgico favorece trajetórias confiáveis, não picos seguidos de frustração, o que é fundamental para o emagrecimento.

Dopamina e Funções

A dopamina é um neurotransmissor sintetizado a partir do aminoácido tirosina.

Ela atua em diferentes vias cerebrais, exercendo funções essenciais como:

  • Motivação e comportamento direcionado a objetivos
  • Aprendizado por reforço
  • Tomada de decisão
  • Controle motor
  • Regulação do humor, atenção e energia mental

Essas funções tornam a dopamina um elemento-chave na capacidade de iniciar, manter e sustentar mudanças de comportamento, incluindo hábitos alimentares e de atividade física.

Estimulação Negativa

A estimulação negativa do sistema dopaminérgico não significa simplesmente “falta de dopamina”, mas uma desorganização funcional do sistema.

O consumo frequente de estímulos altamente recompensadores e de baixo esforço,  como alimentos ultraprocessados e álcool  leva à hiperestimulação dopaminérgica.

Com o tempo, o cérebro se adapta reduzindo a sensibilidade dos receptores de dopamina, como consequência, os mesmos estímulos passam a gerar menor resposta, exigindo recompensas cada vez mais intensas para produzir motivação.

Esse processo está associado à queda da motivação para objetivos de longo prazo, como o emagrecimento sustentável.

Dopamina, Intestino e Cérebro

A dopamina também é produzida no intestino, especialmente no sistema nervoso entérico.

Embora a dopamina intestinal não atravesse diretamente a barreira hematoencefálica, ela influencia o cérebro por meio do nervo vago, o principal canal de comunicação entre intestino e sistema nervoso central.

Células intestinais detectam nutrientes, metabólitos da microbiota e neurotransmissores locais, transformando esses sinais químicos em impulsos elétricos.

Esses impulsos são transmitidos ao tronco encefálico, especialmente ao núcleo do trato solitário, que se conecta a regiões cerebrais envolvidas em motivação, regulação emocional e controle do apetite, veja a Figura 1.

Figura 1. Intestino e Cérebro

Dopamina influencia o emagrecimento via nervo vago

Emagrecimento via Nervo Vago

O desequilíbrio da microbiota  compromete a comunicação entre o intestino e o cérebro por três vias principais.

  1. Primeira via a neural, a disbiose altera a estimulação vagal, enviando ao cérebro sinais de estresse metabólico. Isso reduz a atividade da dopamina e favorece comportamentos de evitar fazer coisas, fadiga mental e baixa motivação.
  2. Segunda via a inflamatória, o aumento da permeabilidade intestinal permite a entrada de substâncias na circulação, ativando o sistema imunológico, que interferem diretamente na síntese da dopamina, favorecendo sintomas como anedonia e apatia.
  3. Terceira via, a metabólica, a disbiose compromete a produção e absorção de nutrientes reduzindo ainda mais a eficiência dopaminérgica.

Dopamina e o Emagrecimento?

No emagrecimento, a dopamina não regula o prazer de comer, no entanto, ela está envolvida na motivação para repetir comportamentos saudáveis ao longo do tempo.

Quando o eixo intestino-cérebro está funcional, o cérebro consegue atribuir valor futuro a escolhas equilibradas, por exemplo, seguir o plano alimentar.

Quando esse eixo está alterado, o cérebro prioriza recompensas imediatas, por exemplo, comer vários chocolates de uma única vez

A disbiose intestinal reduz a motivação, aumenta a impulsividade alimentar e altera a percepção de saciedade.

Como resultado, dietas muito restritivas tendem a falhar, pois intensificam o estresse fisiológico, reduzem precursores de dopamina e aumentam o risco de efeito rebote.

O emagrecimento sustentável depende da preservação da sinalização da dopamina, da integridade intestinal e de estratégias que respeitem o aprendizado por reforço, não a punição.

Conclusão

A dopamina não ensina prazer, ela ensina valor futuro. A saúde intestinal modula a absorção de nutrientes, que por sua vez, oferecem a matéria prima para a produção da dopamina.

Cuidar do intestino é cuidar da motivação, da tomada de decisão e da capacidade de sustentar mudanças comportamentais.

O emagrecimento não é uma batalha contra o corpo, é um processo de alinhamento entre intestino, cérebro e comportamento

 

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